domingo, 3 de maio de 2009

Entrevista com Gal Costa!



Esta atarefadíssima, adverte. Tinha dois anos afastada dos estíúdios e de repente a agenda está cheia de projetos: numa semana cantará com Dionne Warwick, em duas fará as malas e pegará um avião destino Venezola para cantar na quinta 14 de maio no Teatro Teresa Carreño, e em três meses aproximadamente gravará disco novo.

"É um show em que eu canto todas essas canções que foram um grande sucesso na minha carreira. Um show íntimo, com violão, muito belo, que eu tenho certeza que vão gostar", disse Maria da Graça Costa Penna Burgos, Gal aos ouvidos do mundo, quem tem aceitado deixar de lado suas tarefas por poucos minutos e levantar o telefone desde Brasil para falar do seu show.

E embora ela pouco se atreva a adiantar sobre o concerto, asegura que poderão estar tranqüilos sues fãs pois não faltarão no repertório temas do seu amigo Caetano Veloso ou de Tom Jobim. "De Caetano têm várias: Meu Bem, Meu Mal, Força extranha. A verdade que são muitas...E de Jobim também. Como deixar ele fora?", disse a estrela brasileira, peça fundamental do movimento musical conhecido como Tropicalismo.

-Caetano Veloso escrebeu num ensaio que o Tropicalismo foi um movimento musical produto da situação política e social que vivia o Brasil a fins dos 60´s.

-O Tropicalismo não foi um projeto político no qual militar, não. Mas sim era um projeto político porque sua intenção era transformar. Os que participamos dele, o que fizemos foi incorporar elementos internacionais à música brasileira, que naquela época tinha uma influência total da bossa nova e geralmente era executada com instrumentação de acústicos. Nós o que fizemos foi incorporar elementos electrônicos. Claro que todo isso vinha acompanhado com uma maneira muito particular de se comportar, de vestir, muito ligado à época.

-Exato. Por isso Caetano define aos tropicalistas como um grupo de rebeldes com intenções de mudar ao país. Depois de tantos anos, ¿você acha que a música pode mudar um país?

-Eu acho que os verdadeiros artistas sempre estão buscando transformações. Essa é sua função. Por isso os grandes artistas vivem numa constante busca de sons novos, de instrumentos... Não acho que a música possa mudar ao país, mas sim pode alertar, pode informar aos que não têm o conhecimento na mão.

-Porque acha que não aconteceu em outra parte de América Latina um movimento da magnitude do Tropicalismo?

-Em Estados Unidos sim aconteceu com a chegada de The Beatles, com o movimento hippie. Todo isso transformou verdadeiramente às sociedades. Porque não aconteceu na Venezola ou em México? Não sei...

-Em materia musical, venezuelanos e brasileiros estamos, como diría Win Wenders, "tão longe tão perto". Na Venezola é poquíssima a música brasileira que chega. Você acha que se trata de um assunto da linguagem somente?

-Eu não acho que a linguagem seja uma barreira para a música. Nunca têm sido. Nos Estados Unidos se ouve música em espanhol e aqui se ouve música em inglês.É óbvio que são outras as limitações...

-Você têm dito que sua carreira têm muitas fases. Em qual está nesse momento?

-Eu diria que continúo no começo, porque continúo a aprender. Cada show que faço, cada disco que gravo, é uma amprendizagem e um recomeçar de zero. Agora mesmo estou preparando um show novo e tenho os nervos de ponta.

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